Há algum tempo, percebo como nós, cristãos, podemos ficar paralisados esperando descobrir a vontade de Deus para a nossa vida, qual é o nosso propósito, o nosso chamado ou exatamente aquilo que Deus quer que façamos.
Ficamos esperando uma confirmação muito específica, alguma direção que nos diga com clareza qual caminho escolher. Enquanto esperamos, podemos deixar de perceber o quanto Deus já revelou na sua Palavra.
Hoje pela manhã, eu pretendia ler outra passagem da Bíblia. Quando abri, estava em Provérbios 3 e senti vontade de permanecer ali. Algumas palavras começaram a se conectar com coisas que tenho vivido.
“Confie no Senhor de todo o coração; não dependa de seu próprio entendimento. Busque a vontade dele em tudo que fizer, e ele lhe mostrará o caminho que deve seguir.”
O texto me chamou a atenção principalmente pela expressão “busque a vontade dele”.
Existe uma diferença entre buscar a vontade de Deus enquanto caminhamos e acreditar que precisamos conhecer antecipadamente cada detalhe do caminho antes de tomar uma decisão.
Essa diferença me trouxe paz.
🤎 Acompanhe neste post
- Como saber a vontade de Deus para minha vida?
- O que a Bíblia diz sobre a vontade de Deus?
- Como buscar a vontade de Deus nas nossas decisões?
- Quando minha motivação começou a mudar
- Como saber se uma escolha está de acordo com a vontade de Deus?
- Podemos fazer a vontade de Deus pela motivação errada?
- Como descobrir meu propósito sem ficar esperando um chamado?
- Como viver buscando a vontade de Deus na prática?
Como saber a vontade de Deus para minha vida?
Quando pensamos em como saber a vontade de Deus para a nossa vida, podemos começar por aquilo que ele já revelou nas Escrituras.
Nem toda decisão vem acompanhada de uma ordem específica dizendo qual profissão escolher, onde morar, qual projeto desenvolver ou de que maneira usar nossos dons. Há muitas situações em que mais de uma possibilidade pode estar de acordo com a Palavra de Deus.
Nesses casos, podemos agir com sabedoria, oração e consciência diante dele. Buscamos sua vontade enquanto caminhamos, examinamos nossas motivações e permanecemos ensináveis diante do Senhor.
Essa forma de caminhar também exige confiar em Deus sem transformar cada decisão em uma tentativa angustiada de descobrir algo que ele ainda não revelou.
O que a Bíblia diz sobre a vontade de Deus?
Às vezes falamos sobre “encontrar o nosso propósito” como se existisse uma missão específica que precisássemos passar anos tentando descobrir.
Mas Deus já revelou muito da sua vontade nas Escrituras.
Sabemos que somos chamados à santidade, à obediência, ao amor a Deus e ao próximo, ao serviço, à proclamação do evangelho e à formação de discípulos.
Jesus deixou sua Igreja com uma missão.
Em Mateus 28, antes de subir aos céus, ele ordenou que seus discípulos fossem e fizessem discípulos de todas as nações. Participar da missão de Cristo faz parte da vida cristã.
Existe, inclusive, um livro de Yago Martins chamado Você não precisa de um chamado missionário. Eu ainda não o li, embora já tenha ouvido o autor falar algumas vezes sobre essa ideia. O próprio título sempre me fez pensar.
Talvez estejamos esperando Deus nos chamar para algo que ele já mandou sua Igreja fazer.
Cada pessoa, porém, servirá de uma forma. Deus distribuiu diferentes dons, capacidades, oportunidades, recursos e circunstâncias entre seus filhos. Dentro dos limites da sua Palavra, existe espaço para escolhas reais.
Quando uma possibilidade está de acordo com as Escrituras, pode ser assumida diante de Deus com boa consciência. Podemos seguir em frente confiando que ele também sabe corrigir o caminho dos filhos que desejam obedecê-lo.
Tudo isso acontece debaixo do senhorio de Cristo, que alcança também nossas escolhas, prioridades e a maneira como usamos aquilo que Deus colocou em nossas mãos.
Como buscar a vontade de Deus nas nossas decisões?
Provérbios 3 também fala sobre o nosso próprio entendimento, e esse ponto é importante porque somos capazes de justificar muita coisa.
Uma ideia pode parecer excelente. Um projeto pode ser útil. Uma atividade pode até ser cristã e, ainda assim, nossas motivações precisarem ser confrontadas pelo Senhor.
Buscar a vontade de Deus envolve tomar decisões diante dele e continuar disposto a ouvir sua correção.
Quando Deus fez sua aliança com Davi e falou sobre o filho que viria depois dele, encontramos essa relação entre filiação e disciplina. Em 2 Samuel 7:14, Deus diz que seria Pai para ele e que haveria correção quando fosse necessária.
Essa passagem me lembra da segurança que existe em caminhar como filha.
Eu posso obedecer ao que Deus já revelou e confiar que, se começar a sair da direção correta, ele é perfeitamente capaz de me corrigir.
O problema aparece quando o nosso coração já não está disposto a ouvir.
Foi isso que comecei a perceber olhando para a história do próprio A Bíblia Ilumina.
Quando minha motivação começou a mudar
Quando criei o A Bíblia Ilumina, eu queria proclamar a Palavra de Deus.
Por causa da minha deficiência visual, sair de casa sozinha é difícil para mim. Existem formas de serviço que exigiriam uma autonomia que hoje eu não tenho, mas eu podia escrever.
Pesquisando no Google, eu encontrava muita coisa errada teologicamente. Via conteúdos que, em vez de aproximarem as pessoas da verdade das Escrituras, muitas vezes as afastavam dela.
Eu enxerguei ali um problema no qual poderia trabalhar.
Se eu não podia ir fisicamente a muitos lugares, podia usar o blog para compartilhar a Palavra.
Foi assim que ele começou.
Com o tempo, comecei a estudar mais sobre blogs.
Eu sempre soube que SEO, Google AdSense e monetização existiam. Como sempre tive blog, essas coisas não eram novidade para mim. Durante muito tempo, porém, eu achava que SEO era algo muito difícil, restrito a pessoas especializadas, e nunca tinha aplicado esse trabalho de forma intencional nos meus blogs.
Até que comecei a estudar como tudo funcionava.
Eu gosto de estudar e sou muito movida por desafios. Conforme entendia como aplicar SEO, como funcionavam os mecanismos de busca e de que maneira um blog poderia ser monetizado, aquilo foi me interessando cada vez mais.
SEO é a otimização de um site para que mecanismos de busca, como o Google, compreendam melhor o conteúdo e consigam apresentá-lo nas pesquisas. É uma ferramenta que continuo considerando importante para o blog.
Com o tempo, porém, percebi que essas ferramentas estavam ocupando um espaço cada vez maior dentro de mim.
Descobri que determinados assuntos e palavras-chave poderiam ter anúncios mais valorizados. Passei a acompanhar métricas como CPC e RPM.
CPC significa custo por clique, uma medida relacionada ao valor pago pelo anunciante por um clique em determinado anúncio.
RPM é uma estimativa de receita a cada mil visualizações ou impressões monetizadas.
Entender tudo aquilo me instigava porque havia um novo desafio diante de mim.
Eu queria que o blog fosse aprovado no Google AdSense, queria aumentar as visualizações e também entrar no Google Discover, área em que o Google recomenda conteúdos aos usuários mesmo quando eles não estão fazendo uma pesquisa direta.
Quanto mais tráfego o blog recebesse, maior seria também a possibilidade de receita.
Em algum momento, aquilo começou a alterar minha motivação.
O blog continuava falando de Deus. Mas para quem eu estava trabalhando?
Essa foi uma das perguntas mais desconfortáveis que Provérbios 3 me trouxe.
O blog continuava sendo cristão. Eu continuava falando da Bíblia e publicando conteúdos sobre Deus. Mesmo assim, percebi que meus interesses pessoais haviam começado a ocupar um espaço que antes não tinham.
Eu creio que, em determinado momento, Deus me mostrou que não deveria colocar o AdSense no blog.
No início, obedeci.
Depois comecei a deixar essa direção de lado até que fiz uma oração pedindo que Deus não permitisse a aprovação caso aquilo não fosse da vontade dele.
Hoje consigo olhar para essa oração e reconhecer que eu já tinha recebido aquilo que entendia ser uma direção de Deus. Talvez estivesse pedindo uma nova resposta porque não gostava muito da primeira.
Podemos desejar tanto alguma coisa que começamos a procurar argumentos para seguir numa direção que, no fundo, já escolhemos.
Foi nesse ponto que as palavras de Provérbios voltaram à minha mente:
“não dependa de seu próprio entendimento.”
Como saber se uma escolha está de acordo com a vontade de Deus?
A história de Israel pedindo um rei também me faz pensar sobre isso.
Deus permitiu que Israel tivesse um rei, embora 1 Samuel 8 deixe claro que havia um problema na motivação daquele pedido. O povo queria ser como as outras nações, e o próprio Deus identifica naquela atitude uma rejeição ao seu governo.
Por causa disso, passei a ter muito mais cuidado com a frase: “Se aconteceu, era vontade de Deus”.
A soberania de Deus garante que nada escapa ao seu governo, mas nossas escolhas e motivações continuam sendo examinadas à luz daquilo que ele revelou.
Eu consegui colocar anúncios no blog.
Isso aconteceu.
O que eu precisava examinar era o meu próprio coração.
Podemos fazer a vontade de Deus pela motivação errada?
Nos últimos tempos, a visibilidade do A Bíblia Ilumina no Google caiu de maneira muito perceptível.
Quando olho para o Search Console, ferramenta do Google que mostra quantas vezes as páginas aparecem nas pesquisas e quantas pessoas clicam nelas, consigo ver essa mudança na curva de impressões.
Eu não tenho como estabelecer uma relação direta entre essa queda e uma ação específica de Deus, por isso não seria responsável afirmar que o tráfego caiu porque ele retirou seu favor do blog.
Ainda assim, olhar para todo esse processo me fez perceber algo sobre a minha própria motivação.
O blog tinha começado com o desejo de proclamar a Palavra e oferecer respostas biblicamente fiéis a pessoas que estavam encontrando erros nas pesquisas. Com o tempo, estratégias ligadas a receita, palavras-chave mais rentáveis, CPC, RPM e monetização passaram a ocupar uma parte cada vez maior das minhas decisões.
Essa mudança aconteceu antes da queda dos números.
As métricas do Google registram impressões, cliques e posições. A Palavra também me chama a examinar as razões pelas quais faço aquilo que faço.
Uma atividade aparentemente boa pode estar acompanhada de motivações misturadas.
Alguém pode servir porque ama pessoas e, ao mesmo tempo, gostar do reconhecimento que recebe. Pode ensinar porque ama a verdade e também apreciar a imagem de alguém que sabe muito. Um ministério pode nascer do desejo de proclamar Cristo e, ao longo do caminho, começar a alimentar a importância de quem está à frente dele. Até o desejo de alcançar mais pessoas pode conviver com o prazer de ver os números crescerem.
Reconhecer essa mistura exige que coloquemos o coração continuamente diante do Senhor.
Por isso, além de perguntar o que devo fazer, preciso perguntar por que desejo fazer aquilo.
Como descobrir meu propósito sem ficar esperando um chamado?
Existe liberdade em perceber que nem todas as decisões da vida dependem de descobrir previamente uma orientação específica.
A Palavra já nos mostra como Deus quer que seus filhos vivam. Também podemos olhar para os dons, habilidades, oportunidades, necessidades, responsabilidades e limites que ele colocou diante de nós e decidir como servi-lo dentro dessa realidade.
Uma pessoa pode escolher onde trabalhar, qual projeto desenvolver ou de que maneira usar suas capacidades, desde que faça essas escolhas buscando a vontade de Deus, examinando suas motivações e permanecendo ensinável diante dele.
Também podemos descansar na soberania de Deus sem viver com medo de que uma decisão imperfeita tenha poder para frustrar seus planos.
Nosso Pai sabe corrigir seus filhos.
Essa segurança nos permite agir com responsabilidade diante dele.
🔔
receba novos conteúdos
Ative as notificações para receber conteúdos preparados com carinho para fortalecer sua fé, conhecer mais a Cristo e viver a Palavra com amor, obediência e santidade.
Como viver buscando a vontade de Deus na prática?
Buscar a vontade de Deus começa pela sua Palavra.
Antes de procurar uma direção específica, vale examinar se aquilo que desejamos está de acordo com as Escrituras. Nossas responsabilidades, dons, oportunidades e limites também ajudam a compreender as possibilidades que estão diante de nós.
A motivação do coração precisa fazer parte desse exame. Podemos perguntar por que desejamos determinada coisa, a quem ela servirá e se estamos dispostos a mudar de direção caso Deus exponha algo que precisa ser tratado.
A oração também faz parte desse processo. Pedimos sabedoria, submetemos nossos desejos ao Senhor e tomamos decisões sem transformar cada escolha legítima em uma busca angustiada por sinais.
Enquanto caminhamos, continuamos ensináveis.
Deus pode fechar uma porta, confrontar uma motivação, permitir que uma decisão avance ou mostrar que precisamos mudar de direção. Também pode revelar que algo iniciado com uma motivação correta começou, ao longo do tempo, a alimentar interesses que precisam ser tratados.
Quando olho novamente para o A Bíblia Ilumina, é isso que desejo para este projeto.
Quero continuar estudando SEO, entendendo o Google, acompanhando métricas e usando essas ferramentas para que o conteúdo chegue a mais pessoas, sem permitir que elas determinem o propósito do trabalho.
O que desejo preservar é aquilo que estava no começo: amar Jesus, proclamar sua Palavra e servir pessoas com aquilo que ele colocou nas minhas mãos.
Talvez eu nunca saiba todas as razões pelas quais determinado caminho prosperou ou deixou de prosperar. Ainda assim, posso buscar a vontade de Deus em tudo o que fizer, obedecer ao que ele já revelou, agir com sabedoria e permanecer ensinável diante dele.
É assim que quero continuar caminhando.
Que Deus abençoe você! E lembre-se: leia sua Bíblia!! 🤎
