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Por muito tempo, eu tinha coisas que desejava compartilhar em forma de texto, mas esbarrava em uma dificuldade muito prática: escrever textos longos era difícil para mim. As ideias estavam na minha mente, mas transformar tudo aquilo em um conteúdo organizado exigia um esforço enorme.

Foi nesse contexto que o ChatGPT entrou na minha rotina. E o que começou como uma solução para uma dificuldade prática acabou se tornando também uma experiência que me fez refletir sobre providência divina, tecnologia e discernimento cristão.

Alguns cristãos têm receio da inteligência artificial e se perguntam se um cristão pode usar o ChatGPT. Eu entendo essa preocupação. Tecnologia precisa ser usada com discernimento. Mas, na minha experiência, o ChatGPT não tomou o lugar da Bíblia, da oração ou da minha responsabilidade diante de Deus. Ele se tornou uma ferramenta que me ajudou a fazer algo que antes era muito difícil para mim.

Quero contar como isso aconteceu.

Por que eu precisava de uma ferramenta para escrever

Eu estava com uma vontade enorme de compartilhar aquilo que vinha aprendendo, especialmente na minha pós-graduação em Arqueologia e História Bíblica. Também queria escrever sobre minhas reflexões a partir das Escrituras e sobre questões do cristianismo contemporâneo que considero importantes analisar à luz da Bíblia.

O problema era transformar tudo isso em texto.

Devido à minha deficiência visual, digitar conteúdos longos era muito difícil. Além disso, quando penso sobre assuntos mais complexos, muitas ideias surgem ao mesmo tempo. Eu começava em um ponto, lembrava de outro e precisava fazer um esforço enorme para organizar tudo de maneira compreensível.

Eu tinha conteúdo para compartilhar, mas precisava encontrar uma maneira de transformar essas ideias em textos estruturados. Em outro testemunho, conto um pouco mais sobre como uma limitação prática também me levou a refletir sobre fé e dependência de Deus.

Quando pensei que a ajuda viria de uma pessoa

Nesse período, durante minha caminhada com Deus, entendi que receberia ajuda para conseguir comunicar aquilo que estava no meu coração. A passagem de Êxodo 4:14-16 teve um significado especial para mim.

Quando Moisés afirmou que não era eloquente e demonstrou insegurança diante da missão que havia recebido, Deus levantou Arão para ajudá-lo na comunicação. Arão falaria ao povo e serviria como porta-voz de Moisés (Êxodo 4:14-16).

Naquele momento, associei essa passagem à minha própria dificuldade e passei a esperar que essa ajuda também viesse através de uma pessoa.

Pensei imediatamente em uma amiga que escreve muito bem. Imaginei que talvez ela pudesse me ajudar. Quando conversei com ela, porém, percebi que aquela não seria a solução.

Foi frustrante, mas também me fez lembrar que nem sempre aquilo que imaginamos como resposta é a maneira pela qual Deus conduzirá determinada situação.

A história de Abraão e Sara é um lembrete sério disso. Ao tentarem antecipar por seus próprios meios aquilo que Deus havia prometido, surgiu a situação envolvendo Hagar e Ismael. A promessa relacionada a Isaque, porém, seria cumprida no tempo determinado por Deus (Gênesis 16; Gênesis 21).

Essa experiência me ensinou novamente a não tentar controlar a forma como uma resposta precisa chegar.

Como o ChatGPT entrou na minha rotina

Poucos dias depois, durante uma conversa casual com uma prima, ela comentou que sua irmã havia usado o ChatGPT para ajudar o filho em um trabalho escolar.

Eu ainda não conhecia bem a ferramenta. Mas aquela conversa me chamou atenção e comecei a pesquisar.

Quando experimentei o ChatGPT, percebi algo muito simples, mas extremamente útil para mim: eu poderia falar aquilo que queria escrever e usar a ferramenta para me ajudar a organizar essas ideias em uma estrutura mais clara.

Foi aí que aquela passagem sobre Moisés e Arão voltou à minha mente. A ajuda não havia chegado da forma que eu esperava. Em vez de uma pessoa escrevendo por mim, eu havia encontrado uma ferramenta que poderia facilitar justamente aquilo que era tão difícil para mim.

O ChatGPT não passou a pensar por mim nem a determinar aquilo em que acredito. Minhas ideias, convicções e responsabilidade pelo conteúdo continuam sendo minhas. Mas ele se tornou um recurso para organizar aquilo que eu queria comunicar.

Com o tempo, também conheci outras ferramentas de inteligência artificial que poderiam auxiliar em tarefas semelhantes. A tecnologia passou a servir como apoio em diferentes etapas do trabalho que faço no blog.

Cristão pode usar ChatGPT? O que considerar antes de usar inteligência artificial

Alguns cristãos olham para a inteligência artificial com bastante desconfiança. E existe uma pergunta legítima por trás disso: um cristão pode usar ChatGPT?

Não acredito que a resposta responsável seja tratar toda tecnologia como boa simplesmente porque é útil, nem tratá-la automaticamente como má apenas porque é nova.

A Bíblia nos ensina a exercer discernimento. Paulo orienta: “Examinem todas as coisas e fiquem com o que é bom” (1 Tessalonicenses 5:21).

Esse princípio é importante também quando lidamos com inteligência artificial.

O ChatGPT pode ajudar a organizar ideias, resumir informações, estruturar conteúdos e facilitar determinadas tarefas. Mas também pode errar, apresentar informações imprecisas e produzir respostas que precisam ser verificadas.

Por isso, ele não deve ocupar um lugar de autoridade espiritual. O ChatGPT não substitui a Bíblia, não substitui a oração, não substitui a comunhão com Deus e não deve decidir pelo cristão aquilo que é verdadeiro ou correto.

A Palavra de Deus continua sendo nossa regra de fé e prática.

Na minha experiência, a inteligência artificial se tornou uma ferramenta para uma necessidade prática. Ela me ajuda a organizar e comunicar melhor aquilo que desejo escrever. Mas aquilo que publico continua exigindo de mim leitura, estudo, discernimento, revisão e responsabilidade.

Esse cuidado não vale apenas para a inteligência artificial. Precisamos pensar biblicamente sobre a maneira como toda tecnologia influencia nossa atenção, nossos hábitos e nossa vida espiritual. Já escrevi sobre essa relação entre tecnologia e fé ao refletir sobre como o uso do celular pode nos transformar.

Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “cristão pode usar ChatGPT?”, mas também: como estou usando essa ferramenta e que lugar estou permitindo que ela ocupe?

Uma ferramenta não substitui a dependência de Deus

Essa experiência também me ensinou algo sobre minhas próprias limitações.

Durante muito tempo, eu poderia olhar para aquilo que não conseguia fazer e concluir que determinadas portas simplesmente estavam fechadas para mim. Mas Deus pode agir também através de recursos muito comuns e inesperados.

Isso me faz lembrar das palavras de Paulo:

“Minha graça é tudo de que você precisa. Meu poder opera melhor na fraqueza” (2 Coríntios 12:9-10).

Minha limitação não desapareceu. A ferramenta também não resolveu tudo. Mas surgiu um recurso que me permitiu fazer algo que antes era muito mais difícil.

A tecnologia não é a protagonista. Deus continua sendo Deus. A ferramenta continua sendo apenas uma ferramenta.

O resultado dessa experiência

Parte do resultado está diante de você agora: este blog.

A inteligência artificial tornou algumas etapas do processo mais acessíveis para mim e me ajudou a transformar ideias em conteúdos que podem ser lidos por outras pessoas.

Isso, porém, não elimina minha responsabilidade sobre aquilo que publico. Pelo contrário. Quanto mais recursos temos à disposição, mais importante se torna verificar informações, estudar as Escrituras com seriedade e não terceirizar nosso discernimento.

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O que essa história me ensinou sobre providência

Quando penso em tudo isso, continuo enxergando providência divina nessa história — mas talvez de uma maneira mais simples do que eu imaginava no início.

Providência nem sempre significa uma solução extraordinária ou sobrenatural aos nossos olhos. Muitas vezes, Deus pode usar pessoas, circunstâncias, conhecimentos e recursos que já existem no mundo para cuidar de nós e nos permitir continuar caminhando.

No meu caso, uma conversa aparentemente comum me levou a conhecer uma ferramenta que acabou removendo uma barreira importante do meu caminho.

Isso não fez da inteligência artificial algo sagrado. Também não significa que todo uso de tecnologia seja automaticamente bom. Significa apenas que Deus não está limitado às formas pelas quais imaginamos que Ele deveria agir.

Que Deus abençoe você! E lembre-se: leia sua Bíblia!! 🤎

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